A crise andina, desencadeada pela operação militar do Exército Colombiano contra os terroristas das FARC, mostra mais uma vez a inversão de valores éticos e o fim da lógica na América do Sul.
Antes de mais nada, vale a pena lembrar que a operação ocorrida em 1° de Março na fronteira sudoeste da Colômbia com o Equador, a 1,8 Km da margem sul do Rio Putumayo, portanto já em território equatoriano, resultou na morte do porta-voz das FARC, Raúl Reyes.
Para quem não sabe, Raúl Reyes era um dos fundadores do Foro de São Paulo (leia mais sobre o Foro de São Paulo clicando aqui) e um dos principais líderes da narcoguerrilha das FARC, que conta com um contingente de 10 mil homens e promove seqüestros (774 pessoas em cativeiro neste momento), assassinatos e tráfico de drogas na América do Sul. Devido à “ajuda” das FARC, a Colômbia é hoje o maior produtor mundial de cocaína e ostenta um dos mais altos índices de seqüestros e assassinatos do mundo.
Já tendo identificado aquele que foi o alvo do ataque pelo Exército da Colômbia, vamos aos fatos:
– A Colômbia é um país soberano, possui um governo legítimo, eleito de maneira democrática e, neste momento, se encontra em guerra contra os terroristas das FARC.
– A resolução da ONU número 1373, de 28 de setembro de 2001, ratificada pelo governo brasileiro através do decreto N° 3.976 em 18 de Outubro de 2001, estabelece o seguinte:
“2 – Decide também que todos os Estados devem:
a. Abster-se de prover qualquer forma de apoio, ativo ou passivo, a entidades ou pessoas envolvidas em atos terroristas, inclusive suprimindo o recrutamento de membros de grupos terroristas e eliminando o fornecimento de armas aos terroristas;
b. Tomar as medidas necessárias para prevenir o cometimento de atos terroristas, inclusive advertindo tempestivamente outros Estados mediante intercâmbio de informações;
c. Recusar-se a homiziar aqueles que financiam, planejam, apóiam ou perpetram atos terroristas, bem como aqueles que dão homizio a essas pessoas;
d. Impedir a utilização de seus respectivos territórios por aqueles que financiam, planejam, facilitam ou perpetram atos terroristas contra outros Estados ou seus cidadãos;
e. Assegurar que qualquer pessoa que participe do financiamento, planejamento, preparo ou perpetração de atos terroristas ou atue em apoio destes seja levado a julgamento; assegurar que, além de quaisquer outras medidas contra o terrorismo, esses atos terroristas sejam considerados graves delitos criminais pelas legislações e códigos nacionais e que a punição seja adequada à gravidade desses atos;
f. Auxiliar-se mutuamente, da melhor forma possível, em matéria de investigação criminal ou processos criminais relativos ao financiamento ou apoio a atos terroristas, inclusive na cooperação para o fornecimento de provas que detenha necessárias ao processo;
g. Impedir a movimentação de terroristas ou grupos terroristas, mediante o efetivo controle de fronteiras e o controle da emissão de documentos de identidade e de viagem, bem como por medidas para evitar a adulteração, a fraude ou o uso fraudulento de documentos de identidade e de viagem;”
Muitos governos sul-americanos, inclusive o brasileiro, condenaram duramente a operação colombiana, dizendo se tratar da invasão do domínio territorial de um país soberano por outro. Mas a lógica não nos diz que as FARC, sendo um grupo armado e classificado como terrorista pela comunidade internacional, deviam ser condenadas por invadirem e instalarem um campo de apoio em solo equatoriano? Quem inicialmente cruzou a fronteira foram os terroristas e não o exército colombiano, porém que leva a culpa é o presidente Uribe.
Algumas perguntas:
– Tendo em vista os fatos acima, qual será o verdadeiro transgressor da história, o Equador ou a Colômbia?
– E Hugo Chávez, não estará ele enquadrado na resolução 1373 da ONU?
– E as declarações do Sr. Marco Aurélio Garcia (aquele do Toc Toc), condenando a ação militar e insinuando o “isolamento” da Colômbia, são a postura de alguém comprometido com a paz no sub-continente?
– A ação das FARC na América do Sul é isolada ou conta com o apoio de seus companheiros do Foro de São Paulo? Se as FARC receberem esse apoio, quem os condenará? Seus comparsas?
Vale a pena refletir sobre isso. Não se pode calar a voz da Liberdade e da Justiça diante do Terror. Quem apóia o Terror é cúmplice dele.